Área Restrita

Fetagro

1 ano de “desgoverno” no Brasil e os impactos na agricultura familiar

17/05/2017
09/06/2017
Notícias
0 ComentáriosImprimirEmail

 

 

Michel Temer assumiu a Presidência da República do Brasil há um ano e desde então a população brasileira, principalmente a classe trabalhadora, acumula retrocessos e desmonte das políticas públicas, e o que se vê é um ataque à democracia e ao estado democrático de direito.

 

Os trabalhadores e trabalhadoras rurais tiveram a primeira notícia ruim já no dia que Temer assumiu. No dia 12 de maio de 2016, um dos seus primeiros atos como presidente foi extinguir o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o Ministério da Previdência Social, as Secretarias de Políticas para as Mulheres, Juventude e Direitos Humanos, e só nomeou homens para os ministérios. Desde a ditadura militar, esse foi o primeiro governo sem mulheres.

 

“É um governo machista e que paralisou todas as políticas conquistadas pelas mulheres ao longo dos últimos anos. Está sendo bem desafiador para as mulheres, principalmente para as mulheres trabalhadoras rurais, mas vamos continuar lutando pela igualdade e pela autonomia de todas nós”, destaca a secretária de Mulheres da CONTAG, Mazé Morais.

 

E os retrocessos não pararam por aí. Ainda no primeiro mês do governo ilegítimo de Temer, o programa Minha Casa Minha Vida sofreu cortes; o Fies, o Prouni e o Pronatec foram suspensos; e 40 mil agricultores e agricultoras familiares foram excluídos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Ao longo do tempo, o Conselho Nacional de Educação foi desmontado; e as reformas começaram a tomar força no núcleo do governo.

 

A primeira Proposta de Emenda Constitucional (PEC) aprovada aconteceu ainda em 2016, a chamada PEC do fim do mundo, que congela por 20 anos os investimentos em políticas sociais, principalmente em educação e saúde. Para a CONTAG, essa medida representa a volta do “Estado Mínimo”. Situação agravada com a decisão de não destinar os recursos do Pré-Sal para as políticas de saúde e educação.

 

E, com esta visão, o governo vem tentando dar um golpe atrás do outro na classe trabalhadora, tendo como grande aliado o Congresso Nacional. A aprovação da Terceirização foi um exemplo de que o capital é a prioridade para este governo, e não o seu povo. As reformas trabalhista e previdenciária também são um grande risco para os trabalhadores e trabalhadoras brasileiras(os), que só beneficiam os empregadores e os planos de previdência privada.

 

“Esse é o governo do capital e do latifúndio. Temos um grande desafio de barrar essas reformas, pois nenhuma delas visa o bem-estar da população brasileira. Na verdade, elas visam apenas o lucro, em beneficiar o mercado financeiro, os grandes empresários e a elite. A agricultura familiar precisa de condições para permanecer no campo e produzindo alimentos chegam à mesa dos brasileiros e brasileiras”, defende o presidente da CONTAG, Aristides Santos.

 

RETROCESSOS NO CAMPO
Com o fim do MDA, muitas políticas e programas, que foram conquistados a partir de muita luta da categoria trabalhadora rural ao longo das últimas décadas, acabaram extintos ou perderam força pela diminuição de orçamento. As políticas agrárias – obtenção de imóveis rurais, crédito fundiário e regularização fundiária na Amazônia, por exemplo – tiveram execução zero no último ano, conforme dados do Ministério da Fazenda. Já a assistência técnica para a reforma agrária teve uma dotação inicial de R$ 108 milhões, mas apenas 4% do seu orçamento foi executado. A Ouvidoria Agrária Nacional, que funcionava de forma independente e com estrutura própria, foi extinta e agora foi criada uma ouvidoria ligada ao gabinete da Presidência do Incra, sem autonomia.

 

Com isso, pode-se observar o recrudescimento da violência no campo. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra, em 2016, foram registrados 1.536 conflitos por terra, pela água e trabalhista no campo, o maior número dos últimos dez anos e 26% superior ao registrado em 2015. Foram 61 assassinatos de trabalhadores e trabalhadoras rurais e lideranças, um aumento de 22% em relação ao ano anterior. E, em 2017, os números já assustam. Foram nove mortes na chacina em Colniza/MT, duas no Pará, três em Rondônia, e uma em Minas Gerais, além das atrocidades em Viana/MA contra os índios Gamela. E a tendência é que os conflitos piorem com a aprovação da MP 759, que trata da regularização fundiária, e com a liberação da venda de terras brasileiras para o capital nacional e estrangeiro.

 

Nas políticas agrícolas a situação não está diferente. A Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) não se efetivou e o orçamento para ATER sofreu corte drástico. Em 2016 foram executados R$ 285 milhões e para 2017 foram orçados R$ 237 milhões, mas há previsão de corte de 46%, podendo ser executado apenas R$ 127 milhões. Outro programa que também sofreu grandes cortes foi o PAA, que saiu da ordem de R$ 300 milhões no ano passado para R$ 120 milhões para 2017.

 

O meio rural também está sendo duramente afetado com o desmonte do Sistema Único de Saúde, com o fechamento de 400 unidades da Farmácia Popular, com a não implementação do Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural, com a paralisação das ações de enfrentamento à violência contra as mulheres, com o aumento em 30% do desmatamento na Amazônia e a redução das áreas de unidades de conservação, com o desmonte dos espaços de controle social, entre outros retrocessos.

 

É por esses e outros motivos que a CONTAG, as Federações e Sindicatos continuarão mobilizados para lutar pela manutenção dos direitos de toda classe trabalhadora. “Precisamos fortalecer a nossa unidade por nenhum direito a menos”, conclama Aristides.

 

Fonte: CONTAG

 

Comentários

CAPTCHA Image
Recarregar Imagem

Veja Também

Imagem Indisponível
30/07/2014

Regional Cone Sul promove formação sindical

Iniciou ontem (29), na sede do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Cerejeiras, o primeiro módulo do curso de formação político sindical da Escola Nacional de Formação da CONTAG (ENFOC), para dirigentes e representantes de base sindical do Regional Cone Sul. O curso será ministrado em 3 módulos, com 3 dias cada, com objetivo de capacitar cerca de 40 lideranças sindicais do Movimento Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR), proporcionando a cada participante uma visão ampla sobre as principais bandeiras de luta do Movimento, ampliando o conhecimento e revitalizando o comprometimento dos mesmos com o MSTTR, a partir da base. Propõe-se, ao...

Imagem Indisponível
11/07/2014

STTR de Theobroma promove curso de derivados do leite

O Sindicato dos Trabalhadores (as) Rurais do município de Theobroma, em parceria com a Emater Theobroma, realizou de 07 a 11 de julho um curso de derivados do leite, para trabalhadoras(es) rurais do Assentamento Primavera. O curso teve o objetivo de capacitar as trabalhadoras(es) para que elas possam produzir diversos alimentos à base do leite para subsistência familiar e comercialização e, assim, contribuírem na complementação da renda familiar. O curso foi ministrado por uma extensionista da Emater do município de Alvorada do Oeste, que ensinou as participantes a produzirem diversos tipos de queijos e doces. Fonte: Assessoria STTR de Theobroma

Conferência Estadual debate assistência técnica com foco em agroecologia
11/04/2016

Conferência Estadual debate assistência técnica com foco em agroecologia

Estabelecer estratégias e ações prioritárias para promover a universalização da Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) pública e de qualidade aos agricultores e agricultoras familiares do Estado de Rondônia. Esse é o objetivo da 2ª Conferência Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar e Reforma Agrária, que acontecerá de 12 a 14 de abril, no Centro de Treinamento da Emater-RO (Centrer), em Ouro Preto do Oeste.    Cerca de 200 pessoas, representantes de agricultores, povos indígenas, comunidades tradicionais...