
Tem início a I Caravana Agroecológica e Cultural de Rondônia

Na manhã desta terça-feira, 15/03, aproximadamente 100 pessoas, entre representantes de organizações da sociedade civil, instituições públicas e privadas, de agricultores familiares, quilombolas, extrativistas, pescadores, indígenas, estiveram reunidos para participar da abertura da I Caravana Agroecológica e Cultural (CAC) do estado de Rondônia, realizada em Ji-Paraná, no auditório da Diocese. O evento é organizado por mais de 20 entidades integrantes da Rede Terra sem Males.
A primeira atividade contou com uma mística realizada, onde foram destacadas algumas das expectativas dos participantes e a apresentação do hino elaborado especialmente para o encontro. O participante Keliton Oliveira, de Pimenta Bueno, falou da vivência e troca de saberes tradicionais que o evento oportunizará. “Estou interessado na disseminação do conhecimento e em conhecer novas pessoas com interesses em comuns. Espero que minha rede de contatos se amplie e que este evento propicie um bom debate, não somente na questão agroecológica, mas também desde a questão do gênero, da cultura, além de perpassar pelos questionamentos do capitalismo”, frisou.
A representante da Articulação Nacional de Agroecologia – ANA, Flávia Londres, da Secretaria Executiva, ressalta a importância do evento para fortalecimento do setor. De acordo com ela, a ideia é conhecer a realidade da Agricultura Familiar da Amazônia, as experiências na área e estimular o debate para entender qual a história do território, quais os conflitos, as ameaças e os potenciais que levaram a agricultura familiar a se desenvolver. “A gente quer entender como a agroecologia vem se desenvolvendo. Ela traz uma série de benefícios em diversos campos. A saúde, por exemplo, é um campo fundamental, pois a agroecologia proporciona a produção de alimento limpo, saudável e que não é contaminado com venenos, nem produzido a partir de sementes transgênicas. São alimentos que promovem a vida, e não a doença. Mas não é somente isso. A agroecologia preconiza a conservação do meio ambiente, a valorização da biodiversidade e em várias regiões tem conseguido melhorar a qualidade de vida das famílias”, disse.
Em seguida, o representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST de Rondônia, Luiz Roberto, fez uma análise de conjuntura sobre a agricultura agroecológica e o avanço do capitalismo.
Visita
No período da tarde, os participantes visitaram o Assentamento 14 de Agosto, composto por 56 famílias e que está localizado no município de Ariquemes/RO. Eles tiveram a oportunidade de conhecer as experiências agroecológicas do Grupo Coletivo 14 de Agosto, onde as famílias produzem alimentos saudáveis, livres de agroquímicos, experimentando com sucesso técnicas agrícolas com base na Agroecologia, demonstrando sua viabilidade econômica e ecológica.
O primeiro momento foi marcado por uma roda de conversa com uma breve apresentação do histórico de lutas feita pelo morador Leôncio Santana, no qual relembrou fatos importantes que marcaram as conquistas do assentamento, criado em 1992, em decorrência da ocupação feita pelo MST e por famílias de diversos municípios do Estado na Fazenda Shangrilá. A moradora Ana Isabel também falou sobre a experiência de construção do grupo, do esforço para realizar todo o trabalho de forma cooperada, das dificuldades enfrentadas e um pouco de como o trabalho e a vida são organizados. “Além de coletivizar a terra e o trabalho, existe a cozinha coletiva”.
As famílias cultivam café, produzem farinha de mandioca, leite, frutas, milho, feijão, além da produção de hortaliças para consumo próprio e comercialização em feiras agroecológicas bem como a venda destinadas a 35 famílias de Ariquemes. Após a troca de conhecimentos e informações, os moradores percorreram uma trilha para conhecer de perto a horta, o Sistema Agroflorestal – Saf implantado e o local onde o gado é criado.
O primeiro dia do evento proporcionou a troca de conhecimento e cultura, além da discussão do potencial da Agroecologia. O encerramento das atividades contou com a realização da plenária e uma atividade de convivência entre os participantes.
A Caravana segue até o dia 18/03.
